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Saudade. É só saudade.


Saudade.

Lembranças surgem, a vista embaça, lágrimas por um tempo que não existe mais.
Aquela tentativa de trazer para o presente a boa sensação de um passado.
O peito aperta. Coração não obedece, perde-se o ritmo da vida, anseia e acelera.
Já não se controla nem a vontade nem o corpo. Saudade chegou.

A falta daquele abraço, de uma presença que se quer constante, dói.
Nada consegue substituir este sentimento de quebra, de ruptura causada pelo destino.
Superar parece ser obrigação, o único jeito. E os olhos seguem marejados.
Sabe, a realidade é dura demais para permitir a inocência. E machuca.

Saudade.

Ter saudade é dádiva no tempo. Requer amor e sensibilidade, um afeto perfeito e puro.
A vida deixa seus rastros de recordações, uma trilha única e pessoal, que tem suas pedras.
Aquela soma de tristeza e intocabilidade. Nada ameniza sem que os dias vindouros permitam.
Parece eternidade, o que é contradição. Saudade existe porque tudo é ciclo e se fecha.

Então, quando a saudade chegar, a recebamos com carinho, e nos será boa companhia.
Uma parceira para certos momentos, mas nunca elo para uma vida toda.
Um dia a melancolia não resiste e se vai, e as recordações ficam menos doloridas.
E na volta de qualquer outra saudade, o abraço com a existência se dará mais consciente.

A vida não é só esta. O corpo não pode ser única morada. A saudade não é derradeira.
O segredo que o tempo guarda de nós é revelado quando nos encontramos eternos.
E a imaginação, amiga dos criativos, recria o mundo como se fosse além.
Além da saudade, aquele abraço que faltava nos recebe numa nova vida. Doer é momentâneo.

É só coisa da saudade.

Alexandre Fon

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